
O mercado de adegas de bairro vem ampliando sua presença no Vale do Ribeira. Levantamento realizado pelo Sebrae-SP, com base em dados do Portal do Empreendedor, aponta que o número de microempreendedores individuais (MEIs) em atividades relacionadas à comercialização de bebidas passou de 365, em 2021, para 450, em 2026, um crescimento de 23% no período.
Entre os municípios da região, Ilha Comprida lidera em número de empreendedores no segmento, com 90 MEIs, ante 75 registrados em 2021, uma alta de 20%. Em seguida aparece Iguape, com 71 empreendedores, crescimento de 36,5% em relação ao início do levantamento.
Em Registro, o número passou de 51 para 59 MEIs, aumento de 15,7%. Já Itariri apresentou o maior crescimento percentual, de 163,6%, passando de 11 para 29 microempreendedores na atividade.
O levantamento considera empresas enquadradas no CNAE 4723-7/00, referente ao comércio varejista de bebidas. A classificação abrange negócios que comercializam produtos pela internet ou em estabelecimentos físicos, sem espaço para consumo no local.
O segmento ganhou força durante a pandemia de Covid-19, impulsionado pelo serviço de entrega, e continua apostando em conveniência, agilidade, variedade de produtos e relacionamento com os clientes.
Além de cervejas, vinhos, destilados e bebidas não alcoólicas, as adegas podem ampliar o portfólio com produtos complementares, como gelo, carvão, alimentos, petiscos e itens para confraternizações. A combinação entre loja física, canais digitais e delivery também abre possibilidades para os pequenos negócios.
Apesar das oportunidades, a expansão do setor exige planejamento e atenção à gestão. Em um mercado com grande concorrência, conhecer o público, definir o posicionamento da empresa, controlar custos e estoques e oferecer um atendimento diferenciado são fatores importantes para a sustentabilidade do negócio.
Segundo Thiago Rodrigues, consultor de negócios do Sebrae-SP, abrir uma empresa é apenas o primeiro passo. O empreendedor precisa conhecer o perfil do consumidor, identificar os produtos mais procurados, calcular preços corretamente e acompanhar o fluxo de caixa.
O consultor também destaca estratégias para se diferenciar, como a criação de kits que combinem bebidas e petiscos, ofertas de combos e iniciativas de sustentabilidade, incluindo sistemas de logística reversa de garrafas.
Outro aspecto importante é adaptar o negócio às características da região em que está instalado. Perfil de renda, hábitos de consumo, concorrência, localização, horários de funcionamento e capacidade de entrega podem influenciar diretamente os resultados.
A presença digital também pode contribuir para o crescimento das vendas. Redes sociais e aplicativos de mensagens permitem divulgar promoções, apresentar novidades, manter contato com clientes e facilitar pedidos. Para o Sebrae-SP, porém, essas ferramentas devem estar alinhadas ao perfil do público e à capacidade operacional da empresa.
Em Registro, Bruno Rosa de Oliveira atua no comércio de bebidas há cinco anos. Ele entrou no segmento para diversificar os negócios, que já incluíam a venda de sorvetes e picolés no atacado e no varejo. Como os produtos são sazonais, o empreendedor decidiu ampliar as atividades. Até agosto deste ano, atendia em um ponto físico na Vila São Francisco, mas passou a concentrar as operações no serviço de entrega.
Segundo Bruno, o delivery ampliou a área de atendimento para todos os bairros da cidade e contribuiu para o aumento das vendas. Ele também destaca a importância de manter um estoque variado, com diferentes marcas e tipos de bebidas, para atender à procura dos clientes.
Maicon Marciel Santos também apostou no comércio de bebidas como alternativa de renda. Ele abriu a empresa como MEI em junho deste ano e trabalha com entregas no Jardim das Palmeiras, em Registro.
Para enfrentar a concorrência, o empreendedor ampliou a variedade de produtos e passou a comercializar também itens de mercearia. Segundo ele, começar no segmento trabalhando apenas com bebidas pode ser um desafio diante da quantidade de estabelecimentos que disputam o mesmo público.
O levantamento considera os municípios de Barra do Turvo, Cajati, Cananéia, Eldorado, Iguape, Ilha Comprida, Iporanga, Itariri, Jacupiranga, Juquiá, Miracatu, Pariquera-Açu, Pedro de Toledo, Registro e Sete Barras.
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